14 novembro 2011

Veneza - Conhecendo um pouco da história


A região do Vêneto é habitada desde a pré-história e a história dessa região faz parte da história da vasta região do Nordeste da Itália, situada entre os confins do Mar Adriático e a cadeia dos Alpes Orientais. A partir do século I a.C. passou a fazer parte do Império Romano.
Depois da queda do Império Romano, a região foi invadida por diversos povos bárbaros. Entre os séculos VI e VIII, ocorreu uma divisão mais nítida entre o Vêneto interno, sob o domínio lombardo e a Veneza marítima dependente do Império Bizantino e do exarcado de Ravenna.

Veneza nasceu nas ilhas da Laguna Vêneta, no mar Adriático. Sua origem remonta ao século V, quando alguns habitantes da Aquiléia, cidade italiana importante na Antiguidade, fugiram dos hunos e se refugiaram nas ilhas pantanosas. A Aquiléia foi destruída por Átila em 452 e seus habitantes fundaram a cidade de Veneza, que foi construída sobre ilhas e ilhotas do Lido, uma lagoa protegida por um banco de areia. 

A medida que crescia, as ilhas foram se interligando por pontes, as construções sendo erguidas sobre bases de pedras e paus. Os primeiros habitantes escolheram o lado mais exposto ao mar, o mesmo mar que moldou o caráter dos venezianos e que resultou na vocação para o intercâmbio que transformou Veneza no maior centro comercial marítimo do mundo, o maior porto de ligação com o Oriente e a África.

A força de Veneza nasceu do desenvolvimento de relações comerciais com o Império Bizantino. Embora com crescente independência, Veneza permaneceu aliada a Bizâncio contra os árabes e normandos. 


Bandeira da Sereníssima República de Veneza

Em 697, já era um ducado governado por um doge. Ao longo da sua história, foram 120 doges, sendo o primeiro Paoluccio Anafesto (697-717), e o último, Ludovico Manin (1789-1797). O doge era sempre escolhido entre os homens mais ricos, para evitar que pudesse se corromper. Um conselho fiscalizava permanentemente o governante, e muitos foram assassinados. Em 827, os Venezianos trouxeram de Alexandria os restos mortais do Apóstolo São Marcos, que passou a ser o padroeiro da cidade e nome de sua praça mais famosa. A basílica começou a ser construída em 830.

Na arquitetura de Veneza se encontram elementos góticos, bizantinos, românicos, flamengos e clássicos. No início os palácios foram construídos segundo modelos orientais, tornando-se cada vez mais luxuosos. Em seguida fizeram novos palácios decorados por artistas como Tintoretto, Ticiano, Georgione e Veronese. A cidade atingiu o seu apogeu no século XV. A República Sereníssima de Veneza existiu por mil anos.

A queda
Constantinopla, que tinha sido conquistada pelo doge Eurico Dandolo, em 1204, foi tomada pelos turcos otomanos em 29 de maio de 1453. Posteriormente os portugueses e espanhóis descobriram novos caminhos marítimos e Veneza começou sua decadência. 

Ao fim do século XVIII, a Sereníssima República, em declínio, foi invadida por Napoleão Bonaparte. A invasão pelas tropas napoleônicas em 1797 e sua cessão à Áustria, em troca da Bélgica, pôs fim à história de muitos séculos da Sereníssima República de Veneza. Quatro mil soldados chegaram a ocupar a Praça São Marcos e Veneza foi conquistada por outra nação pela primeira vez na sua história.


Veneza ficou sob o domínio francês até 8 de janeiro de 1798, quando o Tratado de Compofornio foi assinado. Desta data até 1866, ficou dominada pelo Império Habsburgo, uma dinastia que reinou na Áustria de 1278 a 1918. 

Quase um século mais tarde, em 1866, a cidade foi anexada ao reino da Itália, que havia nascido cinco anos antes.

Durante todo esse tempo, a cidade conseguiu resistir aos regimes, ao tempo e manteve toda a sua beleza e mistério, ostentando todo o aspecto que tinha na época do seu esplendor.



Os Doges
O nome doge provém da palavra latina dux, que significa chefe. Título dos governantes de 697 a 1797, os doges de Veneza eram eleitos, para toda a vida, entre os membros das famílias mais ricas e poderosas. Desfrutaram de poder quase absoluto nos assuntos governamentais, militares e religiosos até 1032, quando tentaram, sem êxito, tornar o cargo hereditário. 
Depois disso, os doges passaram a ser mais controlados. Em 1310, o doge tornou-se subordinado ao Conselho dos Dez. Daí por diante, foi esta oligarquia que realmente governou Veneza. O conselho governou até 1797, quando Napoleão aboliu a República de Veneza. 
Napoleão suprimiu o conselho e o dogado (cargo dos doges) no mesmo ano.