28 março 2012

Tunísia, um calidoscópio de culturas, cores, aromas e sabores


Nunca havia pensado na Tunísia como um destino para férias até minha filha, Paola, nos propor uma semana no país. Agora penso em voltar na primeira oportunidade, pois como optamos por ficar num resort em Hammamet, muito ficou para conhecermos deste país riquíssimo em história, cultura e diversidade. Ainda assim, o que visitamos em algumas excursões e passeios que fizemos nos permitiu adquirir conhecimento e guardar recordações que jamais sairão de nossa memória.

Paulo, Paola e eu na fortaleza de Hammamet


Na fortaleza com casario branco com detalhes azuis, arquitetura típica da Tunísia.

No caminho que circunda a fortaleza, a beira do Mediterrâneo.

Nessa viagem conhecemos alguns souks, os mercados árabes tradicionais, onde vendedores literalmente brigam pela atenção dos passantes e a regra é pechinchar, pois faz parte da cultura árabe. 

Luke, eu e Paulo no souk ou medina em Hammamet



A língua não parece ser um problema porque ouvimos a mesma frase em árabe, francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e até mesmo em português! Havia uma infinidade de bandejas, artesanatos em cobre, espelhos, castiçais, copinhos de chá, amuletos, pulseiras, colares, cerâmicas, gaiolas, pashminas, tâmaras, túnicas, tapetes, azulejaria, temperos, artigos em madeira da oliveira e muito mais. Me senti no paraíso! Queria ver tudo minuciosamente e esmiuçar cada prateleira, mas o assédio dos comerciantes é tão intenso e por vezes agressivo, que chega a ponto que já não se quer ver nem comprar nada. Ainda assim encontrei as lembranças perfeitas e coisas maravilhosas para decoração da nossa casa!



Luke e Paola


Medina de Yasmine




Caminhar pelas ruas de qualquer cidade tunisiana é descobrir aspectos inusitados da vida cotidiana, se deparar com paisagens estonteantes e construções de beleza impar, descobrindo todos os elementos desta misteriosa atmosfera. Quando o aroma do jasmim e da flor de limão envolve os sentidos dos visitantes, estes são vítimas de uma mágica miragem. Mas as inconfundíveis paisagens, as notas da música malouf, a sedução de suas tradições, o vapor dos banhos hammam e a grandeza de seu passado e presente, confirmam que não se trata de uma ilusão óptica, e sim pura realidade.


Paola com um vendedor de colares de jasmim






A Tunísia é um país que tem paisagens diversas e coloridas: o azul do mar, das portas e janelas, o verde dos oásis exuberantes e das reservas naturais, o dourado do sol refletido nas dunas de areia do deserto do Saara e o ocre das medinas, do coliseu de El Djem e das ruínas de Cartago. O país é rico em oliveiras, fazendo com que o azeite esteja presente em todos os pratos.




Em El Djem

As cores do figo, da tâmara, do damasco, da laranja e da melancia, dão um colorido único às mesas, isso sem falar no aroma e sabor.   


Tâmaras frescas, uma delícia

Os figos são bem maiores dos que encontramos aqui e apesar de serem verdes,
são deliciosamente doces.

Torta de tâmaras, uma das sobremesas típicas

Apesar de ser um dos mais liberais dos países do mundo árabe, ainda é um destino desconhecido dos brasileiros.



A Tunísia fica ao Norte da África, situado no extremo oriental da Cordilheira Atlas e as margens do Mar Mediterrâneo. Suas fronteiras estão limitadas ao nordeste com Argélia e ao sul e sudeste com Líbia, pelo norte e o noroeste com o mar Mediterrâneo, onde um litoral de uns 1.300 quilômetros é recortado pelos golfos da Tunísia, Hammamet e Gabes. Apesar de ocupar apenas uma pequena fatia territorial de 163.610 km², tem história e diversidade natural dignas de um país de proporções bem maiores.

Da mesma forma que os outros países da região ocidental do norte da África, a Tunísia também faz parte do Magreb, que em árabe significa Oeste. O país é o menor deles com um litoral contornado por areias cor de marfim e perfumado pela brisa marítima que trás o cheiro dos jasmins. Trata-se de um destino privilegiado para aproveitar férias inesquecíveis de sol e praia, com temperaturas que se mantém entre 12ºC e 30ºC.



Além dos encantos a beira mar, é uma viagem emocionante, onde culturas distintas e paisagens exóticas podem ser exploradas em poucos dias. Enquanto o norte apresenta lagos repletos de flamingos cor-de-rosa, surpreendentes florestas verdejantes e planícies pontilhadas por oliveiras, o sul se caracteriza pela marcante paisagem do deserto do Saara, que se estende rumo ao interior africano, além das fronteiras nacionais.

As cadeias montanhosas que seguem em direção nordeste pertencem a Cordilheira Atlas, que vem desde o Marrocos atravessando a Argélia e continua pela Tunísia, onde perde altitude de maneira significativa. Suas montanhas chegam até o Cabo Bon e ao Hinterland do Golfo de Gabes. Ao oeste se eleva a montanha mais alta do país, o Djebel Chambi com 1.554 metros.

Oliveiras e as montanhas Atlas ao fundo

A Tunísia tem uma variada flora e fauna devido à grande variedade de microclimas com que conta e que vão desde os desertos arenosos, passando por lagos salgados, até as zonas costeiras com diferentes ilhas.

A flora é bastante variada, indo do tipo mediterrânea, como os hibiscos, as buganvilles, os aromáticos jasmins, passando pelos cítricos, oliveiras, videiras e belos bosques. Na zona próxima à capital e para o sul, até Nabeul e Hammamet, no Cabo Bom, predomina a variada flora de cultivo como jasmins, magnólias, gerânios, vinhedos, laranjeiras e limoeiros.

As buganvilles estão por toda parte
Hibiscos

Gerânios

Jasmim

Gerânios e Buganvilles decoram a maioria das casas em Hammamet.

Um passeio pelas oliveiras

Já na região central, as bonitas palmeiras tamareiras são a imagem dominante, enquanto que nas regiões limítrofes a Monastir e Sousse se dão os hibiscos, gerânios, jasmins e oliveiras.

Tamareira

Tamareira

Na zona sul, que compreende desde a região de Gafsa até as fronteiras com Líbia e Argélia, o deserto começa a se fazer presente, prevalecendo as dunas, sem nenhum tipo de vegetação. Embora as dunas se movam de um lugar para outro, no grande Erg Oriental (campo de dunas), oásis de serenidade, permanece sempre inalterável.
Entretanto, na Ilha de Djerba pode-se contemplar as longas palmeiras e uma grande variedade de árvores entre as quais, oliveiras, figueiras, granados, alforrobeiras, macieiras e os pessegueiros.

Figueira

Figueira

Com relação à fauna tunisiana, é triste a constatação, mas as espécies que ainda não foram extintas como os leões do Atlas, panteras, avestruzes, antílopes oryx, carneiros selvagens e elefantes, estão em números reduzidíssimos espécies como guepardos, hienas listadas, cervos de berberia e búfalos, que não contam com nenhuma proteção por parte do governo. Por outro lado, nas regiões meridionais, zonas desérticas ou pré-desérticas habitam os fenec, os gerbos do deserto, os temidos escorpiões, as perigosas víboras cornudas, numerosas espécies de serpentes, o zorreig, ao que temem especialmente os nômades, e os camaleões. O famoso macaco magot somente pode ser visto nos chotts meridionais.
Uma das espécies mais características e apreciadas pelos tunisianos é o dromedário, introduzido desde Ásia há mais de 1.500 anos, este animal se adaptou perfeitamente ao meio e é, sem dúvida, um exemplar fundamental na cultura do deserto, pois a existência dos nômades, que está cada vez mais reduzida, depende em boa parte deles. Interessante também é a rica ornitofauna, com mais de 400 espécies de aves.

O país está situado num território sobre o qual têm-se ido acumulando as expressões artísticas mais importantes do Magreb. Desde tempos muito remotos a cultura dos habitantes do deserto tem convivido com a cultura clássica do Mediterrâneo oriental e há mais de cem anos, com a Europa Ocidental. Na Tunísia ficam registros de diferentes épocas e culturas, principalmente do período romano.
Ao longo da história, o território tunisiano foi controlado por romanos, bizantinos, árabes e franceses. Cada um destes povos deixou marcas, evidenciadas pela arquitetura das construções históricas, muitas delas intactas, como El Djem, o segundo maior coliseu do Império Romano. A capital, Túnis, se remodelou como uma moderna e ambiciosa cidade árabe, mas ao mesmo tempo, o passado colonial otomano ainda tem forte presença.

O país é muçulmano e segue os costumes e as tradições do Islam, embora não seja radical na aplicação da sua fé, respeitando as minorias que existem por lá.

Apesar de toda esta pluralidade, a Tunísia é o mais homogêneo em termos de linguagem dentre os países da região do Magreb. O árabe é a língua oficial e falada em todo o país, enquanto o francês é a segunda língua e entendida e falada por quase todo o povo. Nos hotéis, restaurantes e souks encontra-se quem fale inglês e alemão.

Um dos recreadores do resort quis comprar a canga da Paola, que é a bandeira brasileira.
Ela o presenteou com a canga e ele ficou encantado com o presente.

Recebendo cerca de 7 milhões de visitantes todos os anos, o turismo exerce papel importante na economia nacional. Os resorts são extremamente populares, principalmente entre os turistas europeus, mas há outras opções de hospedagem com todo o charme colonial para aqueles que desejam maior imersão na atmosfera local. Nos hospedamos no Vincci Nozha Beach e você pode saber nossa opinião no post http://bragaspelomundo.blogspot.com.br/2011/08/hammamet-riviera-tunisiana.html.








Nos resorts, os funcionários da recepção falam o inglês, além do francês, mas os demais, na maioria, somente o francês e o árabe. Isso não é propriamente uma barreira, pois eles se esforção ao máximo para uma boa comunicação. A simpatia e atenção aos hóspedes também é uma característica dos funcionários dos resorts e hotéis.

Tivemos o privilégio de desfrutar desta lua esplendorosa que estendeu um tapete prateado
sobre o Mediterrâneo, após o eclipse total. 

A vontade era de passar a noite apreciando o espetáculo!

Para finalizar este post, fica minha dica para você conhecer este país hospitaleiro e riquíssimo culturalmente do Norte da África. Conheça!


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