20 julho 2012

A fragilidade das árvores gigantes das florestas


As maiores árvores do mundo, conhecidas pelos ecologistas como “rainhas da floresta”, estão morrendo em grande número por causa do desflorestamento, da abertura de estradas, da criação de novas fazendas e aglomerados urbanos. A tais fatores juntam-se períodos prolongados de secas e novas pragas e doenças, constituindo um conjunto de causas que está levando ao fim de exemplares de diferentes espécies, alguns com centenas e até milhares de anos de idade.


Extensos estudos realizados na Amazônia, África e América Central mostram que esses gigantes botânicos, embora tenham conseguido se adaptar com sucesso a séculos de tempestades, pragas e períodos climáticos críticos, mostram-se agora muito mais vulneráveis que outras árvores às novas ameaças surgidas no mundo contemporâneo.

As Redwood (madeira vermelha ou sequoia canadense) são as árvores mais altas
do mundo. O maior espécime já encontrado tem 115,56 metros de altura e vive na
Califórnia

“A fragmentação das florestas ameaça de modo desproporcional as grandes árvores”, diz William Laurance, pesquisador da James Cook University, em Cairns, Austrália. “Não apenas há um aumento geral de mortes de árvores nos limites das florestas, como um aumento proporcionalmente ainda maior de morte de grandes árvores”.

As Redwood gigantes são árvores perenes, de vida muito longa, muitas chegando
aos 2 mil anos de existência

“Sua elevada estatura e seus troncos relativamente duros, espessos e inflexíveis as tornam particularmente vulneráveis ao desraizamento e às fraturas, sobretudo nas bordas das florestas, onde a turbulência dos ventos tem aumentado”, declarou Laurance em entrevista no último número da revista New Scientist.

No Yosemite National Park, Califórnia, vive um outro tipo de sequoia gigante,
a sequoiadendron giganteum

Grandes árvores constituem menos de 2% da população de qualquer floresta, mas elas podem conter 25% da biomassa total, e são vitais para a saúde da floresta como um todo pela sua capacidade de semear áreas muito maiores. “Com toda a sua enorme copa exposta ao Sol, as grandes árvores podem capturar uma quantidade muito maior de energia. Isso lhes possibilita produzir maiores quantidades de frutas, flores e folhagem, o que é muito importante para a sustentação de boa parte dos animais que vivem na floresta. Suas copas ajudam a equilibrar todo o resto da floresta onde vivem, ao mesmo tempo em que a camada de vegetação rasteira que existe sob a sua sombra cria um habitat especial para outras plantas e animais”, prossegue Laurance.


Apenas um pequeno número de espécies de árvores possui capacidade genética para gerar indivíduos realmente grandes. A criação de uma árvore gigante exige boas condições de crescimento, muito tempo e lugar certo para a germinação da semente. Perturbar qualquer uma dessas exigências significa perder a chance de se ter mais uma árvore de grande porte.

Sequoia gigante no Sequoia National Park, Califórnia 

Em algumas partes de mundo, as populações de grandes árvores estão diminuindo porque suas sementes não têm mais condições de germinar ou de sobreviver depois de germinadas. No sul da Índia, por exemplo, arbustos agressivos estão invadindo as áreas rasteiras de muitas florestas, impedindo as sementes das árvores de atingir o solo ao cair. Sem árvores jovens para substituí-las, o desaparecimento da maior parte dos exemplares mais velhos e mais altos é só uma questão de tempo.

O noveiro se instala no Olimpic National Park, no Noroeste da Costa do Pacífico.
No parque vivem muitos velhos Pseudotsuga Menziesii, conhecidos como Pinho do
Oregon ou Abeto Douglas

Segundo Laurance, o fenômeno é generalizado, e não se limita a este ou aquele país. Na Inglaterra, por exemplo, uma nova doença destruiu a maior parte dos gigantescos olmos, enquanto novos organismos exóticos e infecções bacteriológicas, frequentemente trazidas de outros continentes através da importação de vegetais, estão ameaçando velhos carvalhos, freixos e outras espécies de grandes árvores.

Esse Abeto Douglas, no Olimpic National Park, estado de Washington,
 com 99,4 metros

Secas mais intensas e mais prolongadas cada vez mais frequentem em áreas tropicais devido às mudanças climáticas, também fazem muitas vítimas. Estudos feitos em Porto Rico e na Costa Rica também indicam que as grandes árvores sofrem mais durante os períodos de seca do que a maioria dos demais organismos.

Eucalyptus Regnans, no Parque Nacional Yarra, em Victoria, Austrália

Durante a seca, incêndios devastam grandes áreas das florestas tropicais. Supunha-se antes que as grandes árvores conseguiam sobreviver a esses incêndios, mas a pesquisa mostrou que na verdade boa parte delas morre entre dois e três anos depois. Nas florestas nevoentas, as grandes árvores usam seus galhos e copas para absorver as gotículas contidas na névoa bem como as gotas que se condensam nos galhos e na superfície das folhas. O aquecimento global começa a fazer com que as nuvens subam para altitudes ainda maiores, impedindo que as árvores possam se aproveitar dessas fontes de umidade.

Estrada que corta o Parque Nacional Yarra

“O perigo é que as árvores maiores e mais velhas progressivamente irão morrer e não serão substituídas. Isso pode contribuir para desestabilizar ainda mais o clima: à medida que as grandes árvores morrem, as florestas irão liberar o carbono armazenado nelas, desencadeando um círculo vicioso de mais aquecimento e mais redução do tamanho das florestas”, alerta Laurance.

Tasmanian Blue Gum com 90,7 metros de altura. Ele é o
sexto eucalipto mais alto do mundo

Muitas dentre as grandes árvores constituem os mais velhos e ecologicamente mais importantes habitantes da floresta. Na Amazônia, esses exemplares têm com frequência entre 400 e 1400 anos de idade; na América do Norte, redwoods gigantes podem superar 2 mil anos, e há sequoias gigantes com mais de 3 mil anos de idade.


Na Austrália, o Coala é um bicho manso e tranquilo que vive nas copas do eucalipto e se nutre exclusivamente das folhas dessas árvores.

A Sumaúna é a maior árvore da Amazônia